07Dezembro2019

                                                                                                                                                                                                                              ÁREA RESTRITA | DIRETORIA

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Grupo Operativo com Adolescentes Atendidos no SAE - HIV/AIDS, do Recife: 
Uma possibilidade de estratégia de enfrentamento diante da soropositividade

Juliana Monteiro Costa

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A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids) é uma manifestação clínica avançada da infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV). Atualmente tem se tornado um dos maiores problemas da saúde pública e requer um olhar biopsicossocial, tendo em vista as diversas dimensões da vida do indivíduo que são afetadas. Devido ao fato do vírus ser terapeuticamente controlado, a Aids tornou-se uma doença crônica. Não obstante, viver com uma condição de cronicidade é algo difícil em qualquer fase da vida. Na adolescência as repercussões mostram-se ainda mais potencializadas, pois além das mudanças e conflitos próprios da idade, o preconceito e o estigma da sociedade e da própria família diante do HIV+ refletem no ambiente social, nas atividades diárias, na prática da sexualidade e no relacionamento com outras pessoas, gerando importantes limitações físicas e psíquicas para o adolescente. Diante desta realidade, desde 2010 venho realizando no SAE - HIV/AIDS - Serviço de Atendimento Especializado que trabalho grupos operativos com adolescentes soropositivos que estão em acompanhamento e tratamento para o HIV. O grupo operativo funciona como um espaço de escuta e acolhimento, onde os integrantes aprendem em conjunto com a experiência do outro. A experiência com o grupo operativo neste SAE tem apontado que o mesmo possibilita a identificação com os pares, o que é tão comum no período da adolescência, além de promover também o desenvolvimento da autoestima, autoconfiança e valorização de si mesmo, aliviando a solidão diante da soropositividade e, consequentemente, funcionando como uma importante estratégia de enfrentamento ao HIV pelos adolescentes.

Para os interessados em conhecer a técnica de grupo operativo de Pichon-Rivière, segue abaixo algumas referências importantes:

1) Pichon-Rivière E. O processo grupal. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
2) Berstein M. Contribuições de Pichon-Rivière à psicoterapia de grupo. In: Osório LC. Grupoterapia de hoje. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999. p.108-132.
3) Zimerman D. Fundamentos das grupoterapias. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000. Enquadre grupal; p.144-51.
4) Quiroga AP. Enfoques y perspectivas en psicología social: desarrollos a partir del pensamento de Enrique Pichon-Rivière. Buenos Aires: Ediciones Cinco, 2005.

Juliana Monteiro Costa
Psicóloga do SAE em Recife | CRP 02/13200
Docente da Graduação e Pós-Graduação da Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS)
Membro do Conselho Fiscal da SBPH (2015-2017)